Vocês já podem perceber que eu não fui de grande ajuda quando tivemos de opinar sobre qual iriamos escolher.
Acabou que durante as nossas visitas aos apartamentos teve um que não conseguimos falar com o porteiro, e já por fora dava pra ver que ele tinha um grande potencial para ser o escolhido. Então finalmente, depois de alguns dias conseguimos entrar no apartamento. Logo de cara todos gostaram (não preciso nem falar que já queria pegar minhas coisas e colocar no meu quarto antes mesmo de fechar um acordo). Foram mais duas ou três visitas até terminarmos de medir, procurar por defeitos ou qualquer outro problema que poderíamos usar de artificio para diminuir o preço do aluguel (até agora eu não tinha especificado que nosso apartamento antigo era alugado e queríamos alugar um novo *facepalm*), até que enfim fechamos o contrato com o proprietário e a imobiliária, e começamos a correr com o necessário para mudarmos o quanto antes.
Logo de cara tivemos o problema da fiação em cima do gesso. O eletricista veio instalar as luminárias no teto e teve que fazer uma gambiarra estilo MacGyver para que passasse corrente em todos os fios. Mas sinceramente, nossa pressa e animação para se mudar logo era tanta que nem nos importamos muito.
Chegou o dia tão esperado e trouxemos os móveis do antigo para o novo apartamento para partir de então, até que enfim, dormir na residência nova. Depois de passar o dia levantando móveis e caixas, desempacotando as coisas e furando as paredes para parafusar estruturas de suspensão de prateleiras e televisões, o cansaço era tanto que mal nos aguentávamos em pé.
Como estava sem TV à cabo coloquei um filme no DVD e deitei na cama para descansar, mas a situação era tão complicada que não deu tempo nem de apagar as luzes, eu já estava em sono profundo. Acordei mais ou menos as 2:30 da manhã com minha mãe gritando no meu quarto reclamando do barulho da televisão. O filme já tinha acabado há horas e a musica do menu sendo pequena, já tinha sido repetida várias vezes e pra piorar o volume da TV estava bem alto ( não sei se pelo silêncio da noite e meu estado de sono, ou se talvez tivesse durante a noite pressionado com o corpo o botão para aumentar o volume ). Rapidamente desliguei a televisão, a luz e voltei a dormir.
No dia seguinte, continuamos os trabalhos e, por volta de dois dias, os móveis já estavam em seus lugares certos. Trouxemos nossas duas cachorras (nalu, uma vira-lata de 5 meses e lola, uma staffordshire de 1 ano e meio) e tudo estava perfeito, até que um belo dia toca a campainha e o sindico nos entrega o livro de ocorrências do condomínio e diz que o nosso vizinho do 102, apartamento em baixo do nosso (202), escreveu uma reclamação sobre a gente.
Pensei logo que só poderia ser o lance da musica do DVD, e acabou que eu estava certo, abrimos o livro e vimos a reclamação. Mesmo sabendo que estava totalmente errado, fiquei puto com o fato dele ter usado uma ferramenta tão importante para escrever algo tão simples e que, com certeza, poderia ser resolvido com uma conversa amigável no elevador. Mas eu fiquei mais puto ainda com o jeito que ele escreveu, ao invés de só explicar o ocorrido, ele escreveu dois parágrafos sobre como pessoas que moram em apartamento deviam se comportar, como se nós fossemos uma família que tinha acabado de se mudar da favela (sem ofensas à quem mora na favela) para o prédio em que estamos.
Até falar sobre a equação de Pitágoras ele falou, pois tinha gravado com o celular os barulhos e quis explicar que a gravação tinha ficado baixa pelas condições de tempo e distância ( não me perguntem ). E no final do texto ele ainda tem a cara de pau de desejar "Boas vindas aos novos moradores", que filho da mãe. O cara é um tremendo de um pé no saco, no primeiro dia em que mudamos já fomos alvos de reclamação em um livro que até então, desde 2012 quando foi fundado, não tinha sido usado nenhuma vez !
Escrevemos uma resposta que, mesmo simples, era simpática e se desculpava dizendo que não iria mais acontecer de novo. Ingênuos, pensamos então tudo estar resolvido e que poderíamos finalmente curtir o apartamento, sem preocupações externas. Nunca estivemos tão errados. Passando mais alguns dias e chegou de novo, dessa vez pelas mãos de nosso zelador (Seu antônio*), o livro de ocorrências. Ninguém entendeu nada, nós não fizemos mais nenhum barulho e nem nada para que pudessem reclamar da gente, tomamos até um cuidado extra colocando absorvedores de impacto de portas e tampas de privada.
De novo o morador do 102 reclamando, mas dessa vez de barulhos insuportáveis na madrugada advindos de nossa residência, fazendo com que ele até ficasse assustado ( palavras dele), logo em seguida ele diz que até agora estava usando de meios amigáveis para fazer a reclamação. E pela data vimos que a reclamação foi no segundo dia desde que começamos a morar no novo apartamento, começamos então a desconfiar seriamente das condições mentais do morador do 102. As cachorras não podiam ser, pois elas dormiam igual pedra a noite inteira, nós também estávamos dormindo então também não poderia ser, só tinha duas opções: ou o cara é retardado mental ou ele está sacaneando a gente.
Respondemos no livro que desconhecíamos tais barulhos e que não concordávamos com a acusação injusta do morador do 102. Passando isso, não recebemos mais reclamações por escrito por um tempo, e pensamos (ingênuos novamente) que finalmente ficaríamos em paz. Errados de novo. Fora as reclamações feitas novamente pelo vizinho insuportável do andar de baixo em uma reunião do condomínio na qual não estávamos presentes, recebemos uma carta da imobiliária em que alugamos o imóvel, dizendo que o síndico tinha avisado a eles que nós possuíamos dois cachorros de porte médio no apartamento, e que segundo o regimento interno, só pode ter cachorro de porte pequeno no prédio e que teríamos que entregar um laudo feito por um veterinário com os portes dos nossos cachorros. Foi uma puta sacanagem, porque quando minha mãe foi fechar o contrato não tinham passado pra ela o regimento interno, ela só assinou um termo feito pela proprietária do imóvel que só poderia ter cachorros de até porte médio. Nós não tivemos tempo nem de responder essa carta e já enviaram outra, dessa vez dizendo que quando minha mãe assinou o contrato de locação estava ciente de que o imóvel só seria utilizado para fins residencias e que ela não estava cumprindo essa clausula, porque estavam reclamando de barulhos excessivos vindo do nosso apartamento e que em menos de 1 mês ja tínhamos 2 reclamações no livro de ocorrência. Não tiveram nem o trabalho de averiguar a situação para confirmar a veracidade dos fatos. Tomaram a palavra do morador do 102 como verdade e até nos ameaçaram de despejo, além de exigir a retirada imediata de nossos cães. Esqueci de dizer que junto a carta, veio uma gravação do morador do 102, na qual ele fica andando pela casa toda filmando o teto e em uma frequência de mais ou menos 5 a 10 minutos, se tem uns barulhos pequenos, tipo um estalo ou uma tampa de privada encostando na parede ( e até mesmo uns barulhos de interruptores de luz. Pra vocês terem noção do tamanho do silêncio)
Respondemos a carta e tivemos que levar nossos cachorros para nossa casa de praia em Cabo Frio.
Conclusão : estamos pensando em entrar na justiça contra a imobiliária, porque era obrigação deles ter apresentado o regimento interno do condomínio no qual consta que não se pode ter animais de porte médio ou grande, e também pelo fato de nós estarmos sendo alvos de reclamações impertinentes e inverídicas, a ponto de que estamos vivendo sob as condições de tentar não fazer qualquer tipo de barulho depois das 22:00.
Tiramos os calçados ou chinelos e andamos como fadas nas pontas dos pés. (antes tivéssemos ficado no apartamento antigo)
Enfim galera, essa é mais uma de tantas histórias que eu tenho, mesmo que não seja engraçada conta rs. Foi mais um desabafo sobre a condição de vida em que estou vivendo.
Grande abraço do seu Amigo Camarada.
Seu antônio - Zelador do meu prédio, que com seus belos 50~60 anos não consegue falar uma palavra que se consiga entender. Tentar ter uma conversa normal com ele é perda de tempo, ele tem que repetir mais ou menos umas três ou quatro vezes a mesma frase para que possamos entender mais ou menos o que ele esta querendo dizer. Pensa em alguém falando baixo e com uma bola de sinuca na boca, é mais ou menos assim. Ainda não encontrei o s. Antônio sem estar com um insuportável cheiro de cachaça ou com outra camisa a não ser sua desbotada polo branca com listras azuis.
-Tem um casal de filhos pequenos com, acredito eu, uns 9 anos mais ou menos.
-Tem o hábito de conversar com outros porteiros e sarandear pelas ruas exibindo sua gaiola de passarinho. (como qualquer outro zelador)
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