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quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Ano novo e o suposto sequestro


Bom galera, se preparem porque hoje eu vou contar pra vocês uma das histórias mais doidas e engraçadas que eu tenho. Para essa história vou ter que apresentar a vocês mais dois amigos:



"Xicor"- Xicor é um cara muito maneiro, conheci quando estava no oitavo ano do meu colégio. Ele veio de uma outra escola e logo se enturmou com o pessoal. Temos muito em comum, como por exemplo o fato de nós dois tocarmos violão e compartilhar o mesmo gosto musical. Desde sempre, o Xicor foi aquele aluno que todos gostavam, mas era o alvo das brincadeiras, porém nada que chegasse a ser um bullying. Ele também praticamente pedia para ser zoado, sempre postando selfies se exibindo, ou formulando mal o jeito que explicava um assunto, fazendo com que saíssem frases comprometedoras. Como uma vez que quando conversávamos sobre alguns famosos que não gostam de dar autógrafos, e ele falou: " se eu fosse famoso eu gostaria de dar"(kkkkk). Eu e Xicor somos grandes amigos, hoje em dia ele está nos Estados Unidos jogando futebol americano, mas mantivemos o contato conversando sempre que temos uma oportunidade.  

"Fedro"- Fedro é uma das pessoas mais engraçadas que eu conheço. Quando estava no primeiro ano ele se mudou para o meu colégio também, porém com vários amigos juntos a ele. Talvez por isso não tivemos muita proximidade nesse ano. Tinham vários alunos na mesma série e a escola teve que dividir as turmas, dando preferencia a permanência dos alunos antigos em uma mesma sala e os novos em uma outra separada. Isso fez com que nossa relação se afastasse ainda mais, nada que fosse uma inimizade, conversava com ele no recreio e na saída, mas era somente um colega qualquer. No ano seguinte, muitos saíram da escola fazendo com que unificassem a sala em que iríamos estudar, e por isso, pude me aproximar mais do Fedro. Mas foi no terceiro ano mesmo que nos tornamos grandes amigos. Novamente muitos saíram da turma e isso fez com que os que restaram ficassem muito unidos (hoje em dia praticamente minha "turma de amigos" com quem saio frequentemente eram meus colegas de classe, incluindo minha namorada). Fedro era aquele aluno que (como eu) sempre soltava piadas durante as aulas, formávamos uma dupla de palhaços que era o terror dos professores. Não tinha limites, até durante as provas a gente fazia todos gargalharem. Gosto muito do Fredo, e apesar de não conhecido ele a tanto tempo quanto os outros, temos uma relação de amizade muito boa e uma confiança que poucos tem hoje em dia.





Então vamos a história:
Era véspera de ano novo e todos estávamos ansiosos para chegar final de dezembro. Eu, Vilson, Xicor e Fedro estávamos com viagem marcada para Rio das Ostras, numa casa de praia da família de Xicor. A viagem estava prometendo ser muito divertida, quatro amigos dividindo uma casa enorme com uma família super engraçada e acolhedora, não é de se dispensar.
Chegou o dia tão esperado e fomos para rodoviária comprar a passagem, que por sinal não foi uma situação tão fácil pois nos ficamos perdidos no meio do centro da cidade (RJ), e quase perdemos a hora em que saía o ônibus. No final acabou que deu tudo certo e conseguimos embarcar e, mesmo sentando ao lado de um desconhecido suado, a viagem foi bem tranquila. Vilson não foi com a gente, ele ainda não tinha a resposta certa pra saber se poderia passar o réveillon longe de sua família. Só quando chegamos ao nosso destino ele nos ligou, disse que poderia ir e que já estava a saindo da rodoviária. Fomos então pra a tal casa, ficamos fazendo hora na piscina esperando o Vilson chegar e nos apresentamos aos anfitriões abrindo umas cervejas para brindar a nossa tão esperada viagem. Vilson chegou e, a partir daí, foi só curtição. Acordávamos já com o cheiro do churrasco, tomávamos um litrão de antártica e ficávamos na piscina até que o fogo apagasse e as carnes parassem de vir. Logo depois disso, se desse tempo, íamos a praia ou dependendo do nosso cansaço voltávamos para o quarto para tirar umas boas horas de sono. A noite o que não faltava era lugar para ir. Boates lotadas e ruas super movimentadas estavam praticamente do outro lado da rua e as mesmas, nos renderam boas gargalhadas, mas isso é outra história e quem sabe qualquer dia desse seu conto pra vocês. O meu foco agora é o réveillon, que sinceramente nem meus familiares até hoje não ficaram sabendo de tudo ao certo.



No ultimo dia do ano de 2013, o padrasto de Xicor resolveu que íamos em uma ilha colher mexilhões para fazer um super almoço de despedida do ano. Fomos então, em um barco de um amigo dele para a tal ilha. O barco, apesar de simples, era muito bonito e arrumado, era um barco de pescador com pintura nova e um deck em cima, que mais servia para fazer sombra. Ao chegar soubemos que teríamos que nadar por alguns metros, pois já estava raso e não podiamos prosseguir navegando, o que não foi uma notícia ruim pois a água era limpa e refrescante, aliviando a sensação de estarmos sendo torrados pelo sol.
Pisando em terra firme começamos a escalar as pedras. Eu, Xicor e Vilson estávamos em um ritmo acelerado, pulávamos as pedras que dividiam enormes valas como se fossem pequenos degraus, já o nosso amigo Fedro, por estar um pouquinho acima do peso talvez, seguia lentamente e escorregava de tempos em tempos. Chegando no topo da ilha o coitado nem teve tempo de apreciar a vista, pois já tínhamos chegado a alguns minutos e estávamos ansiosos para descer e voltar ao barco. Pular do deck para o mar parecia muito mais atrativo do que ajudar a catar mexilhão na beira da ilha. Parecia uma simples tarefa, mas quem disse que conseguimos descer com a facilidade que subimos ? Pedras escorregadias, trechos cheios de ouriços, valas enormes e quatro marmanjos desajeitados correndo mais que as pernas.
Não preciso nem dizer que Fedro chegou no barco parecendo que tinha vindo da guerra, todo ralado e vermelho de sangue.


 Apesar de não ter caído, teve umas três ou quatro vezes que eu fiquei por um triz de não me machucar sério, e quem sabe até morrer caindo em valas que mais pareciam abismos. Subimos no deck e começamos nossa sequencia de pulos e piruetas, até a ideia de ter que subir no barco toda vez que caísse na água começou a ficar não tão legal quanto antes. Avistei um balde em cima do parapeito a minha frente e não sei porque, ver que ele estava amarrado ao barco me deu uma imensa vontade de arremessar-lo à água. Calculei mal meu trajeto até o ponto em que estava mirando e acabei acertando a cabeça de Fedro, que ficou com um galo enorme para combinar com seus machucados já existentes.
Foi uma manhã muito agradável porém cansativa, mas em compensação saborear os mexilhões frescos e temperados foi como comer um pedaço do céu. Eis então que me surge uma ideia mirabolante: cada um dar uma grana e alugarmos um pescador para ele levar a gente de barco de Rio das Ostras para Búzios,  passaríamos o réveillon na praia de geribá juntos a uma amiga minha,que por coincidência, tinha ido passar o ano novo lá e nos convidou. Todos riram,f disseram que seria impossível conseguirmos alguém que levasse a gente de barco, nem pagando muito bem. Mas a ideia de ir para búzios pareceu ótima aos pontos de vista de Vilson, Fedro e Xicor, só faltava saber como iríamos.
 
Nos arrumamos e, mesmo com a cara de desaprovação da mãe e do padrasto de Xicor, fomos para estrada ver se passava ônibus direto para lá. Ficamos por pelo menos 15 minutos aguardando e os únicos que passavam, paravam bem antes. Ai então, eu novamente, tive uma super ideia que provavelmente foi a culpada de todo o sufoco que passamos posteriormente. Minha mãe tem uma casa em um condomínio que fica entre Rio das Ostras e Cabo Frio, e todas quase todas as vezes que vamos para lá, alugamos um bugre, que faz o percurso de lá até búzios, pela praia, em mais ou menos 20 minutos. Pensei eu então, 20 minutos de bugre então deve ser no máximo 1 h apé (?!?!?!?).
Todos (já não raciocinando muito bem por conta de tanta cerveja) confiaram em minhas palavras e pegamos o primeiro ônibus que passou, é claro que Vilson teve que fazer uma graça e fez xixi em uma garrafinha de guaraviton no canto de seu assento no meio do ônibus lotado. Soltamos em frente ao condomínio e atravessamos ele para chegarmos até a praia, começando então nossa jornada até búzios.
 
Durante o percurso, notamos que as pessoas que estavam na praia, por sinal feias e desengonçadas, começaram a sumir e, de repente, estávamos a sós no meio do nada. Já tinham se passado pelo menos duas horas e todos começaram a me xingar, com toda a razão. Logo no começo tínhamos avistado uma grande fumaça oriunda de um pequeno incêndio que estava tendo em um denso matagal que divide a praia da estrada, e nessa hora em que já estávamos sozinhos, o incêndio já estava quase sumindo de nossa retaguarda.

Era o mar de um lado, um deserto de areia que nunca acabava na frente, um mato denso que por ser muito grande, tanto verticalmente quanto horizontalmente, nos isolava da estrada, e um deserto de areia que também não tinha fim, atrás. Nós conseguíamos ver a dobra de búzios lá na frente, mas por mais que a gente andasse e andasse, parecia que nunca iríamos nos aproximar. Foi então que chegamos em um trecho da praia que é cortado por um rio. A maré estava tão alta, que levantamos nossas bermudas até a cintura e mesmo assim ainda estava molhando um pouco nossas vestimentas. A extensão da margem do rio tinha mais ou menos uns 20 metros, e chegar ao outro lado sem ser levado pela correnteza estava ficando difícil.
Chegando ao outro lado da margem nós tínhamos duas opções: ou continuar pela praia até búzios, ou ir pra estrada, através de uma ruazinha de barro que ligava a praia a via, para tentar conseguir uma carona. Fomos parar então no meio de uma estrada que dividia duas intensas vegetações. Já estava escurecendo e a rua não possuía postes de iluminação, nossa tentativa de conseguir carona foi falha, até porque quem em sã consciência daria carona a quatro homens, andando em uma estrada e no meio do nada? Foi então que tivemos o nosso contato, com o que julgamos que era uma pessoa enviada por Deus para salvar nossas vidas.
 
Já tínhamos andado por quatro horas seguidas e estávamos com fome e muita sede, e no meio do nada avistamos uma barraquinha de pastel. Cara, não existia nada, absolutamente por ali, só mato de um lado e o que parecia ser um pântano do outro. Porque teria uma barraca assim ali, faltando algumas horas pra acabar o último dia do ano, em um lugar que não passava nem carros direito ? Vilson começou a chorar e agradecer ,fomos correndo até a barraca. Lá encontramos uma senhora que parecia ter o coração maior que o peito.
Ela conversou com a gente do jeito dela, de vagar e calmo, rindo da situação em que nos encontrávamos. Comemos cada um um pastel de carne enquanto tomávamos uma coca cola. Por mim eu passava minha virada do ano ali mesmo, estava tudo tão calmo e estava me sentindo tão bem por ter encontrado alguém que simplesmente relaxei. Acho que se não fosse pelos mosquitos ficaríamos por ali mesmo.
Descansamos por alguns minutos e durante esse tempo, o marido da vendedora de pastel chegou com um violão e começou a tocar umas musicas espanholas (?). Nos despedimos e ela nos orientou a seguir em frente por mais ou menos 1 km e virar a direita em uma rua de pedras, onde iriamos encontrar uma outra via que passavam várias vans para búzios. Logo em seguida falou comigo, que perdia o meu tempo em tentativas falhas de conseguir sinal no celular, para tomar cuidado, pois estavam roubando muitos celulares de pessoas distraídas. Então seguimos nosso caminho em busca da tal rua de pedra, que não durou muito tempo pois logo a frente na terceira ou quarta curva encontramos o que parecia ser também um condomínio

Sinal que estávamos finalmente perto da civilização e de que poderíamos falar com alguém la dentro pra pedir o numero de um táxi que nos levasse em segurança até nosso destino. Logo na recepção fomos desiludidos pelo rapaz que estava na guarita. Ele nos disse que nenhum táxi iria querer ir até lá pra pegar a gente, era final de ano e eles estavam cobrando caro pra levar as pessoas que já estavam em búzios para as praias. Se a gente conseguisse algum táxi ele iria cobrar o olho da cara pra fazer nosso percurso.

Vilson então saiu revoltado de volta pra rua, me fazendo alvo de xingamentos. "Seu filho da puta, olha aonde você nos meteu, vamos passar o ano novo andando e se a gente der sorte chegamos em búzios antes do carnaval !". Foi quando passou um carro e parou para o sinal de carona. Era um sedã branco, estava escuro e não dava pra ver direito, mas acredito que era um corola, tinham dois caras muito estranhos no banco da frente e uma senhora atrás. Vilson conversou com eles e apresentou a oferta de eles nos levarem até búzios por uma quantia de 5 reais de cada um.
Logo de cara eles aceitaram, mas quando souberam que eramos quatro, recusaram e nos desejaram boa sorte em nossa caminhada. Xicor veio correndo em direção ao carro e desesperado implorou para que ele nos levasse, sugeriu até que ele fosse na mala para caber todos no carro.
Vendo que eramos um bando de jovens perdidos, os dois caras suspeitos aceitaram e saíram do carro para abrir as portas. Um foi logo tirando a senhora que estava atrás ( que por sinal não parecia nem um pouco com eles, tanto nas feições do rosto quanto na cor da pele) e com um tom de voz não tão sério mandou a senhora ir para a mala, que estranhamente obedeceu e seguiu com uma cara de pânico até a traseira do veículo.
Nessa hora gelou meu estômago, pensei logo que esses dois caras tinham roubado o veículo da velha que estava com eles, estavam a mantendo de refém e agora estava pensando em roubar a gente também. Ele gritou pra ela que era brincadeira e a disse pra sentar na frente junto a ele. Olhei para o Xicor, que para alívio da minha preocupação, também estava com a mesma cara de pânico. Xicor então agradeceu a carona mas disse que preferíamos seguir a pé. Então, tornando a situação mais suspeita ainda, os rapazes começaram a insistir e insistir para que entrássemos em seu carro. Vilson, desligado e despreocupado, entrou seguindo de Fedro, fazendo com que meus queixos tremessem de tanto medo e nervoso.
Eu entrei seguido de Xicor, que ficou ao lado da janela. A senhora sentou no colo do sujeito que estava no banco do carona e logo após a partida do carro tentou falar alguma coisa, mas foi impedida pelo mesmo que falou bem baixinho "fica quieta tia, fica quieta". Olhei para os lados e entrei em pânico, Vilson e Fedro pareciam nem estar ligados na situação, mas Xicor estava do meu lado em estado de choque.
 
Na mesma hora abaixou o vidro e por um segundo fez um teste para ver se conseguia se jogar pela janela ( o filho da puta ia se jogar da janela, nos deixando na mão de dois supostos sequestradores, e ainda ia piorar a situação, porque provavelmente eles parariam o carro e voltariam atrás dele), puxei ele rápido e sussurrei em seu ouvido: "ta maluco porra ! Fica namoral".

O motorista do carro não passava de 40 km/h, e falava em seu celular com alguém sobre uma festa e em certo ponto da conversa, disse até que estava levando os presentes e ainda com brinde.
Pensei comigo, agora fudeu. Vão me roubar, e ainda vão comer meu cu ! Nesse momento Xicor já tinha me cutucado pela milésima vez e insistia em querer narrar os seus pensamentos em meu ouvido, porém talvez pela gravidade da situação, não estava conseguindo medir o volume de sua voz, correndo o risco de ser ouvido pelos até então sequestradores.
Por um impulso de pânico, Xicor diz para o motorista que ele poderia parar no próximo ponto de ônibus que a gente ia esperar pela van ali mesmo. O motorista, rindo, disse que não fazia sentido ele parar ali, disse que " ia deixar a gente numa boa". Cara pensei de meu coração pular pela minha boca, pensei de ligar para polícia mas meu celular estava completamente sem sinal, pensei então em pular da janela por cima do Xicor e ser o filho da puta que abandonou os amigos mas que continuou vivo. Já estava até imaginando a noticia "Jovens pegam carona e são assassinados na estrada para búzios, deixados somente de cueca estirados na beira da estrada". Rezei e tentei manter a calma para não parecer um alvo muito fácil.

Comecei a analisar a situação em busca de armas de fogo ou qualquer objeto cortante. Puxei então assunto com o que estava dirigindo para ver no que ia dar. "Po irmão, muito obrigado mesmo por ter nos dado essa carona. Provavelmente a gente ia mofar ali na estrada esperando meus pais. Cansei até os dedos de mandar mensagens para eles pedindo socorro e enviando minha localização pelo celular rs rs ". Joguei esse papo pra ver se conseguia dar uma intimidada, mas Xicor logo estragou tudo. "Porra não acredito ! Porque não falou isso pra gente antes?". Olhei pra ele com uma cara de quem o ia arrancar os olhos e continuei a desenvolver meu plano de intimidação: "Não te disse por que tu tá muito chato, não para de falar e eu to com preguiça de ficar conversando. E eu não queria que você soubesse que eu estava com sinal para não pedir para usar meu celular, que já esta com metade da bateria( mentira, estava com pelo menos 10% naquele momento)".
Xicor pescou meu plano mas novamente quase estragou tudo tentando me ajudar no papo furado: "Po amigo, então deixa a gente aqui nesse ponto de ônibus que nossos pais devem passar aqui pra buscar a gente logo, logo". Novamente, o rapaz no volante disse: "Calma aí meu camarada, vou te deixar numa boa. Não precisa ficar nervoso, se acalma". Xicor, com a testa tão suada pelo pânico em que estava, respondeu : "To nervoso não po, só queria facilitar pra vocês". Continuamos então, a estrada que parecia que nunca ia acabar, porque o carro estava tão lento, que até uma charrete poderia facilmente nos ultrapassar.

Nessa parte do caminho, todos já estavam em alerta pra situação, até mesmo Fedro e Vilson, que são dois retardados, estavam se borrando de medo. Conseguimos ler uma placa que dizia "trevo de alguma coisa" não consigo lembrar o nome ao certo, só sei que pelo pouco que conheço do lugar, é um trecho onde todas as ruas se cruzam, e com certeza passaria van. Todos então tomamos voz ativa, agradecemos e pedimos para que eles parassem para podermos descer. Tinha bastante gente nos vários pontos de ônibus que ali tem, e não sei se foi por um milagre ou se realmente era paranoia de nossa cabeça, mas o cara parou o carro e nós descemos.

A sensação foi inexplicável. Ele pediu 10 reais de cada um e nós demos sem nem questionar, fomos em direção a uma van já parada que, segundo uma moça do ponto, passava em geribá. No caminho até a praia, nós nos abraçamos dentro da van e comentamos sobre a situação em que tínhamos ficado. Chegamos a conclusão de que ele provavelmente queria sim nos roubar, parar em uma rua escura qualquer e deixar a gente sem dinheiro e celular para voltar pra casa, mas talvez, por não portar uma arma e nós estarmos em quatro e eles em dois, não se sentiram confiantes a ponto de executarem o que tinham combinado e desistiram. Enfim chegamos a praia de geribá. Vilson que já estava com vontade de soltar um barro desde quando caminhávamos na estrada, resolveu ir no mar fazer suas necessidades.
O que ele não sabia era que os holofotes de luz estavam todos virados para água, e que por isso, ele não conseguia nos ver, mas nós e todas as pessoas ( que por sinal eram muitas, incluindo famílias) que estavam na praia, conseguíamos o ver nitidamente. Ele entrou no mar de cueca e com o short em uma de suas mãos, abaixou, tirou a cueca e ficou peladão para todo mundo ver. Eu podia escutar as pessoas rindo e comentando e ele, com as mãos ao alto segurando a roupa, no raso, se abaixou e fez o que tinha que fazer. Desajeitado, demorou mais alguns segundos para colocar a cueca e o short e voltou para areia, onde sem entender nada, nos encontrou as gargalhadas. Enquanto alguns jogavam rosas ao mar, Vilson soltou um barrão.


Bateu um puta sono e alguém sugeriu que voltássemos, na hora eu pensei no conforto e segurança da casa e não queria saber de mais nada a não ser pegar um táxi e voltar para Rio das Ostras. Todos concordamos e depois de muito sufoco e desenrolo, conseguimos um táxi que nos deixaria em frente ao condomínio da minha mãe. Perdemos uma grana preta e lá pegamos um ônibus que nos deixaria bem perto de casa.
Faltavam 6 minutos para o ano novo quando nós saímos do ônibus. Dormi no caminho inteiro e quando acordei saí para a rua dando falta do meu celular, voltei correndo e procurei na cadeira em que estava sentado e nada. Só pensei na mulher: " Tome cuidado, estão roubando muitos celulares de pessoas distraídas". Corremos até a casa e, faltando 2 minutos conseguimos entrar, comemos, vimos a virada e os fogos e logo em seguida fomos dormir mortos de cansaço. Passamos mais alguns dias lá em Rio das Ostras e depois voltamos pro Rio.



Então galera, essa foi uma história sinistra e, como as outras, totalmente verdadeira ! Acreditem se quiserem.
Um grande Abraço do seu Amigo Camarada











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